sexta-feira, 13 de julho de 2012

ESTAMOS REALMENTE EM CHECK?


Tantas coisas têm ocorrido no ambiente empresarial e particularmente em termos de envolvimento à contabilidade e ao contador, que às vezes imaginamo-nos como se tivéssemos permanentemente em “check”. Ou seja, colocamos em estado de alerta e crítica as nossas habilidades e competências para tratarmos de coisas e situações que até bem pouco tempo não nos incomodava, a ponto de até questionar se realmente determinadas dessas situações/coisas, são efetivamente do nosso fazer.
 
As novas tecnologias que influenciam direta ou indiretamente o comportamento/sobrevivência das empresas afetam-nos de forma imediata, visto o nosso comprometimento e zelo pela boa disposição patrimonial das entidades. Daí, sentirmo-nos plenamente nesse estado de atenção (ou tensão?) permanente, como a questionar:

§  Nossos saberes;
§  Nossa formação;
§  Nossa responsabilidade e compromisso com a continuidade operacional dos clientes;
§  A permanente e premente necessidade de formação continuada; etc.

No entanto, também, isso deve nos remeter a um estado de forte euforia e ânimo positivo, pois nunca se pensou tanto como agora, na importância do contador gerencial em detrimento do famoso e deprimente “contador darfista”, figura que não somente a classe contábil como o empresariado, quer esquecer.

A propósito, para que não sobrem dúvidas, quem ou como deve ser o contador gerencial?

Tomando emprestada definição aposta em trabalho acadêmico de meus alunos na UESB da disciplina Análise das Demonstrações Contábeis do sétimo semestre de Ciências contábeis, 2012.1 (Diego, George, Rodrigo, Vinicius, Werley):

O Contador Gerencial, também conhecido como Controller tem como função, sob a ótica da contabilidade gerencial, registrar, segregar, disponibilizar e assessorar os administradores da empresa.

Este profissional, para desempenhar, com competência as exigências que o posto lhe demanda, deve ter:

§  Um perfil critico proativo e responsável;

§  Domínio da profissão;

§  Capacidade de manter-se atualizado;

§  Qualificação e estudos continuados para acompanhar a dinâmica empresarial.

Segundo o IFAC - International Federation of Accouting o Contador Gerencial é conceituado como o profissional que: “identifica, mede, acumula, analisa, prepara, interpreta e relata informações (tanto financeiras quanto operacionais) para uso da administração de uma empresa, nas funções de planejamento, avaliação e controle de suas atividades e para assegurar o uso apropriado e a responsabilidade abrangente de seus recursos”.

Como sempre faço, com vistas a melhor consubstanciar nossas reflexões acima, sugiro a leitura do texto abaixo.


Empresas e Profissionais da Contabilidade em Check diante das Novas Tecnologias


Com a implantação pelo governo brasileiro do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital causou uma verdadeira revolução no que diz respeito à gestão empresarial no Brasil. Ao contrário do que empresários e profissionais reclamam, os impactos do novo sistema não está na carga ou arrecadação tributária, o problema é ainda maior do que se imagina, pois o impacto do sistema se dá exatamente na gestão empresarial, nos processos internos da empresa.

O nosso sistema tributário continua o mesmo, não há mudanças na sua estrutura ou até mesmo nas alíquotas, ou criação de novos impostos, o que observamos é um verdadeiro e rigoroso controle das operações econômicas e financeiras como nunca antes se imaginou a necessidade de controle, de mapear e implantar gestão de excelência, a fim de dotar a empresa de segurança e confiabilidade das informações prestadas ao fisco brasileiro.

Nesse novo cenário faz-se necessário rever os conceitos, quebrar os paradigmas, adquirir novos conhecimentos, buscar novas soluções, é uma mudança que ocorre a cada 30 ou quarenta anos no Brasil, e considero que ainda que estamos no meio do processo, temos em andamento os projetos, EFD Social – Folha de Pagamento Digital, cujo detalhamento das informações nos mostra bastante complexo, não menos complexo o EFD P/3, controlando todo o processo produtivo de uma indústria, obrigando a informar cada etapa da sua produção e dos valores agregados a ela, e para completar tudo isso o BRASIL_ID, controlando todo o transito de mercadorias através de chips, denominado de RFID, monitoramento por radio frequência.

Outro setor duramente atingido por esse processo é o das Empresas de Serviços Contábeis ou os chamados Escritórios de Contabilidade, que ao encontrar a resistência por parte de seus clientes quanto a necessidade de implementar mudanças, recuam no processo de modernização e mudanças dos seus paradigmas, e no final da história ambos poderão sucumbir diante de uma situação e de um sistema que se torna irreversível a cada dia, não adianta resistir porque o mercado é cruel a lei de mercado trará soluções para suprir esse vácuo que temos hoje de profissionais e tecnologia adequada.

A discussão mais recente que se apresenta nesse momento é quanto a utilização da chamada CLOUD COMPUTING (Clique aqui), computação em nuvens, pelo que nos parece é outro processo irreversível, a engenha de todo esse processo digital implementado pelo governo traz a necessidade de banco de dados unificado, e essa nova tecnologia proporciona essa possibilidade reduzindo custos das empresas no que diz respeito a softwares e hardwares. Muita discussão ainda se trava sobre ela quanto a segurança, o que vem se mostrando bastante confiável.

SPED exige pensar, analisar, conhecer, e, sobretudo ter coragem de mudar.


Texto publicado em 13/07/2012 no JORNAL CONTÁBIL – Edição on-line
http://jornalcontabil.com.br/v5/?p=2112

terça-feira, 3 de julho de 2012

ESTAMOS PREPARANDO OS CONTADORES DO FUTURO?


Continuando com a declinação de péssimos hábitos que possuo, e que são normalmente dirigidos ao massacre dos meus “pobres” alunos, tem um que costumo ser enfático, quando acho que devo fazê-los perceber sobre a necessidade de pensar os contadores como seres capazes de explicar os efeitos patrimoniais, a partir de conceitos / saberes vinculado a outras áreas do conhecimento, como:

  • Economia;
  • Finanças;
  • Estatística;
  • Psicologia;
  • Gestão, etc.


E nesse sentido, interrogo-os quanto tem do trabalho direto do contador nos elementos plenamente operacionais das atividades das organizações (comprar, produzir, vender, etc.). De um modo geral, sempre me respondem com um “nada”. O que é uma pena, se pensarmos a contabilidade, como área do saber, produzida e dirigida para o auxílio na tomada de decisão, dos seus usuários externos e internos aos negócios.

  • Então, como “nada”?

  • A Contabilidade, não é a ciência que tem como objeto, o PATRIMÔNIO das organizações?

  • Ela não demonstra, explica e informa sobre a estrutura e funcionalidade / dinâmica desses PATRIMÔNIOS?

  • Mas como explicá-las sem o conhecimento de como foram construídos, avaliados, processados, geridos esses PATRIMÔNIOS e os ambientes em que ocorreram essas mutações?


Ou seja, nada se explica, nem se sugerem alternativas de continuidades operacionais / administrativas dos PATRIMÔNIOS, sem que relevantes “valores” e/ou conhecimentos sejam apropriados de outras áreas.

E vejam, isso já é muito para a reflexão desses pobres discentes, que na verdade nem imaginam como serão a organização e funcionalidade das organizações que eles irão trabalhar.

Pois bem. É sobre essa questão, que aproveito e sugiro a leitura da entrevista feita pela revista Administradores.com.br com César Sousa CEO da Empreenda Consultoria e considerado um dos 200 Global Leaders of Tomorrow pela World Economic Forum - Suíça.

Vejam a seguir:


Como serão as empresas e a nossa carreira no futuro?


Em entrevista, César Sousa, um dos principais experts brasileiros em estratégia empresarial, relata que os modelos de gestão tradicionais precisam ser sepultados e profissionais precisam promover uma nova postura em suas carreiras



Esqueça o pensamento dos tradicionais "gurus" do século XIX e seus modelos de gestão. A sociedade, os profissionais e a forma de se fazer negócios mudaram drasticamente.

A tese acima é defendida pelo consultor César Sousa, CEO da Empreenda Consultoria e considerado um dos 200 Global Leaders of Tomorrow pela World Economic Forum - Suíça. Para o especialista, que lançou recentemente o livro "A Neo Empresa", o cenário atual exige urgentemente que se abandonem os princípios da Era Industrial, utilizado por muitas empresas até hoje.

César declara que entramos em uma nova fase em que novos valores e necessidades são mais desejados pelos consumidores e profissionais. O Administradores.com conversou com o consultor que apontou algumas formas para se ter sucesso nos negócios e em nossa carreira nesse nova era do management. Confira!

César, o título do seu livro é "NeoEmpresa" e a minha primeira pergunta é justamente sobre isso. O que as novas empresas possuem de diferentes das antigas empresas?

Muitas características da NeoEmpresa são bem diferentes das empresas tradicionais. A NeoEmpresa é uma entidade Multicentrada, que gravita em torno de clientes, pessoas, acionistas, parceiros, investidores, comunidades e demais partes interessadas. Podemos pontuar alguns pontos dessas novas empresas:

  • Constrói um "Mapa de Geração de Valor" decorrente do Significado percebido pelas entidades que fazem parte do seu modelo de negócios. Isso conduz a resultados surpreendentes que vão muito além do "mero" valor econômico.

  • Luta pelo Progresso dos seus Clientes, em vez de apenas buscar o seu próprio progresso. Coloca o cliente no centro do seu organograma, ciente de que o seu sucesso depende do sucesso dos seus clientes, distribuidores e parceiros.

  • Customiza a Gestão das Pessoas, em vez de apenas "Gerenciar Cargos". Respeita a individualidade de cada um, oferecendo uma razão inspiradora para suas vidas.

  • Valoriza o Intangível e não apenas o Tangível. Diferencia-se dos concorrentes por não se limitar à gestão eficiente de capital, equipamentos, estoques, tecnologia e instalações.


Além de incorporar a Sustentabilidade ao seu Modelo de Negócios, colocar a Tecnologia a serviço do Ser Humano e estrutura-se de forma horizontal, direta e flexível.

Essas diferenças aconteceram pelas mudanças de visão e comportamento dos consumidores e das próprias pessoas que fazem as empresas?

Essas diferenças são decorrentes do mundo em reconfiguração em que vivemos. E pelos sintomas atuais que percebemos na maioria das empresas, com estratégias bem arquitetadas que mal conseguem sair do papel e não funcionam quando começam a ser implementadas. Então, nota-se que essas empresas podem possuir até sete elementos problemáticos.

  1. Clientes insatisfeitos com a baixa qualidade do atendimento na hora da verdade, quando usam produtos e serviços que deveriam solucionar suas necessidades;
  2. Pessoas infelizes por não conseguirem desenvolver seu potencial nas empresas e pela falta de significado do dia a dia do trabalho nas suas vidas;
  3. Parceiros e sócios desconfiados, negociando na base dos medos e receios;
  4. Acionistas apreensivos pelos riscos que não conseguem antever nem controlar;
  5. Comunidades que não aceitam mais, de forma passiva, o impacto das empresas no seu cotidiano;
  6. Empresas engessadas com modelos de governança que não se adaptam aos jovens talentos inquietos que fazem parte da chamada "Geração Y";
  7. Empresas que insistem nos tradicionais planos de carreira, na surrada ideia da escada com vários degraus até o topo, enquanto as pessoas têm pressa, preferem subir mais rápido ou caem fora, movendo-se numa velocidade proporcional ao seu talento.


Você acredita que os princípios de gestão e da Administração adotados ao longo de décadas por várias organizações e escolas de negócios estão ficando engessados para essa nova era corporativa que surge?

Sem nenhuma duvida. Os princípios de gestão tradicionais não mais respondem às novas necessidades das empresas nem das pessoas. Estamos formando lideres para uma realidade que já não existe mais. E estamos dirigindo nossas empresas com olho no espelho retrovisor. Ainda somos prisioneiros dos princípios da Era Industrial com ideias criadas no século XIX, publicadas no século XX. E olhe que já estamos na terceira década do Sec. XXI.

O que não funciona mais, por exemplo?

Uma serie de ideias mortas que precisamos sepultar. Exemplos:
  • "espremendo fornecedor é que se aumenta o lucro da empresa"; 
  • "o segredo é a alma do negócio", coisas assim.

Lembro-me do tempo que muita gente acreditava que "lugar de mulher é na cozinha?" são coisas assim que temos de nos livrar, de ideias obsoletas que ainda povoam a cabeça de executivos nas empresas.

Muito se fala de sustentabilidade e "economia verde". Inclusive, tivemos aqui no Brasil uma conferência de proporções mundiais - a Rio+20. O pensamento nessas causas, em sua opinião, está deixando de ser uma tendência corporativa para se transformar em uma realidade empresarial absoluta? Você acha que as empresas que não tiverem inclinadas a responsabilidade social/ambiental estão fadadas a extinção?

As empresas precisam incluir a sustentabilidade social e a ambiental nos seus modelos de negócios, em vez de apenas ficarem jogando pra plateia. Não é apenas plantando árvores, reciclando lixo ou um projeto social aqui ou outro ali que vamos resolver a questão da sustentabilidade. Aliás, falta a variável mais importante no famoso "triple bottom line" – econômico-financeira, social e ambiental. A verdade é que não se trata de um triângulo, mas no mínimo de um quadrilátero: falta a liderança. Acredito que as empresas que não desenvolverem líderes em todos os níveis, essas sim, estarão condenadas a extinção.

Mas em relação à postura desses líderes da NeoEmpresa. O que devemos esperar deles?

Posturas e atitudes completamente diferentes dos líderes tradicionais. Os NeoLíderes serão aqueles que:
  • Constroem causas em vez de apenas oferecer empregos;
  • Formam outros lideres, em vez de seguidores;
  • Fazem mais do que o combinado, em vez de apenas bater metas;
  • Inspiram pelos valores, em vez de pela hierarquia ou pelo carisma;
  • Lideram 360 graus, em vez de apenas dentro das paredes da empresa.


E entre os profissionais em geral? Quais são os caminhos para eles se destacarem em suas carreiras?

Desenvolverem o que chamo de competências intangíveis. Chega de competências tangíveis, de tecnicismo, de ferramentas e de instrumentos, isso tudo é obrigação. Os profissionais competentes que conheço se destacam pelo intangível: 
  • confiança, 
  • comunicabilidade, 
  • capacidade de integração, 
  • relacionamento, 
  • networking, 
  • reputação, 
  • coerência, 
  • determinação, 
  • perseverança, e 
  • muita disciplina. 

Além, obvio da inovação. 

Eles são inovadores, ousados, mas disciplinados. 

A Era do Management nos ajudou a chegar até este ponto. Agora precisamos dar o próximo passo: 

Repensar e enriquecer alguns dos seus princípios, vislumbrando as características da empresa moderna do século XXI, 

A NeoEmpresa.



Publicado originalmente em:
Administradores.com.br - 29 de junho de 2012, às 17h53min

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A PROPÓSITO DA RIO+20


Às vezes em sala de aulas, em conversas com meus alunos, tenho um hábito de estar sempre lhes questionando sobre assuntos do cotidiano, que contadores e mui especialmente estudantes de contabilidade, indagam: 

Que isso tem a ver com a contabilidade e seus estudos? 

Normalmente, provoco-lhes com uma outra questão: 

E o que não tem a ver com a contabilidade?

Penso que só não tenha a ver com a contabilidade, assuntos que não façam nenhuma relação com o comportamento patrimonial das organizações. Mas, óbvio, diante das minhas limitações, não consigo enxergá-los. Ou seja, sempre vejo os assuntos impactando de uma forma ou de outra o patrimônio das entidades. Daí, sem chance, está a contabilidade ali também.

Pois é, isso permeou intensamente meus pensamentos sempre que acompanhei as notícias/matérias sobre o maior conclave mundial acerca do meio ambiente, ocorrido nas duas últimas semanas no Brasil. A Rio+20. Seja na parte oficial, seja nos eventos paralelos, estava lá a Contabilidade, fazendo parte de tudo, visto por mim como se fosse uma obsessão. Até porque, nada foi mais intensamente referenciado, discutido, evidenciado, do que o patrimônio mundial (e, por conseguinte das organizações), em termos de riscos tenebrosos e possíveis ganhos.

E como seria a evidenciação disso tudo e sua accountability?

Também nesses dias, em minhas leituras, deparei-me com um texto bastante interessante que de certa forma, demonstra o quanto já se estuda seriamente sobre essas questões no âmbito puro da contabilidade. Isso é feito no Necma (Núcleo de Estudos em Contabilidade e Meio Ambiente), liderado pelo Professor da USP, Roberto Kassai. Ou seja, melhor vocês conferirem o texto abaixo publicado na edição on line do Jornal Contábil. Leiam:


Balanço verde é alvo de nova contabilidade

Um novo tipo de balanço contábil para empresas e governos desponta para colocar os danos ambientais ou sociais na coluna de “passivos”, enquanto as ações compensatórias seguem para a coluna de “ativos”, ambos ao lado de resultados financeiros e patrimoniais.

É o que explica José Roberto Kassai, professor da USP (Universidade de São Paulo), que lidera mais de 50 pesquisadores de múltiplas áreas e também parcerias de empresas, governos e instituições no Necma (Núcleo de Estudos em Contabilidade e Meio Ambiente) .

“Ainda parecem duas áreas distintas, mas é uma mudança cada vez mais evidente”, afirma ele, ao citar como exemplo os ativos como florestas, terras produtivas ou capacidade de absorção de carbono em oposição aos “gastos” como as queimadas ou as mudanças climáticas.

Tópicos básicos / O novo sistema de balanços pesquisados pelo grupo tem quatro eixos principais:
  1. Econômico, 
  2. Social, 
  3. Ambiental e 
  4. Governança.  


“O futuro crescimento do mercado de capitais deve colocar  a maioria das empresas nas mãos da sociedade, que vai exigir transparência”, diz.

Dessa forma, os resultados financeiros serão tão importantes como a geração de empregos com equilíbrio de gênero, étnia e renda no lado social. E a prevenção de danos ao meio ambiente estará junto ao controle interno. E com prestação de contas.

“O José Goldemberg, que é um Nobel do meio ambiente, aponta os cinco desafios atuais como mudarmos o PIB [soma de geração de riquezas], acabar com subsídios de energia, reduzir o crescimento populacional, preservar a biodiversidade e elevar o conhecimento sobre nosso rumo”, afirma.

Movimento global / A estrutura de aplicação dos quatro eixos da nova contabilidade foi desenvolvida em contatos com movimentos empresariais como o Instituto Ethos e o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), além de referências internacionais como o GRI (Global Reporting Initiative), que reúnem boa parte das grandes empresas brasileiras e multinacionais.

“Essa discussão ética implica envolver todos os ‘stakeholders’, ou seja, administradores, fornecedores, governos, investidores, clientes, comunidade e outros”, define. Mas existe pressa, porque o balanço global é de perdas para o meio ambiente.

Jundiaí tem bônus para o cálculo
O trabalho desenvolvido desde 2005 pelo Necma, ligado à Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da USP, usou as metodologias da nova proposta contábil para apontar o Brasil entre os raros saldos positivos dos “monster countries”, nome do grupo que forma ao lado de outros grandes países em extensão territorial do mundo ao lado de Estados Unidos, China, Índia e Rússia.

Um segundo trabalho, analisando os estados brasileiros, começou em 2008 e está sendo divulgado agora e comprova um dos motivos dessa situação. Os estados da Amazônia, que abriga a maior cobertura florestal do planeta, lideram o balanço verde.

“Nosso desafio é colocar no passivo as questões ligadas com a pobreza e falta de infraestrutura das populações. Ainda não está claro quanto vale uma árvore em pé, e muito menos uma floresta inteira”, explica Kassai.

A próxima etapa, mais complexa, é o trabalho a nível de municípios ou até mesmo regiões. E Jundiaí é um dos alvos pretendidos pelo pesquisador. Um dos motivos é o bônus visível que a cidade abriga com a conservação de áreas como a Serra do Japi e zonas de mananciais.

“Tenho mantido contatos com a Diretoria de Meio Ambiente da administração municipal. Precisaremos buscar parcerias para viabilizar profissionais como biólogos, climatologistas, sociólogos  e outros especialistas. ”, diz.

As variantes que desafiam as equações definitivas são a diversidade biológica (de plantas e animais em cada bioma) e o processo de emissão ou absorção de carbono.

Um consenso sobre novos tipos de contabilidade pode facilitar, por exemplo, um mercado de pagamentos de serviços ambientais para remunerar áreas que conservem a vida natural ou a geração de água.

Obras /Além da USP, o trabalho tem parceiros na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com métodos que podem ajudar o cálculo de impacto urbano, ambiental e de vizinhança de novas obras.

Jornal Contábil – Edição on-line

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Atenção! Queres ser empreendedor?


Empreender é uma arte que requer coragem, determinação, conhecimento, habilidades e muita pertinácia, visto ser algo que dispõe em si mesmo de uma quantidade considerável de riscos. Portanto, ao empreendedor é exigido um alto grau de reflexão e estudo detalhado de diversos pontos, a fim de serem evitados futuros insucessos.

Rogério Chér, em seu livro A Gerência das pequenas e médias empresas: O que saber para administrá-las,  (2002 : 51-52) cita quinze variáveis que deverão ser observadas na abertura de negócio:

Sazonalidade;
Perfil do mercado consumidor;
Perfil dos principais fornecedores;
Grau de influência de decisões governamentais;
Perfil da concorrência;
Participação de mercado;
Políticas mercadológicas da concorrência;
Políticas de preços;
Prazos de pagamentos;
Políticas de créditos e financiamentos;
Estrutura administrativa da concorrência;
Estrutura de vendas da concorrência;
Técnicas de operação e produção da concorrência;
Necessidade do mercado consumidor;
Políticas de garantia, assistência técnica.

No entanto, a fim de melhor consubstanciar este assunto, com maiores, atuais e embasadas posições, sugiro a leitura abaixo da matéria publicada hoje no Jornal Contábil – on-line, que teve como fonte a revista Exame. Confirmem:


As habilidades que todo empreendedor deve ter


Ter uma boa ideia e paixão pelo negócio não bastam para que você seja um empreendedor de sucesso. Para Fernando Campos, investidor-anjo e gestor da Devise, dominar técnicas de gestão de negócios é a habilidade que ele mais sente falta nos empreendedores brasileiros. “Você pode ter capacidade técnica, domínio de conhecimento e ótimas ideias, mas também é preciso ter visão de negócios, saber gerir e liderar pessoas”, afirma.

Edison Kalaf, professor de inovação e empreendedorismo da Business School São Paulo (BSP), conta que o essencial é acreditar no negócio e se dedicar. “É o trabalho que importa, não basta só investir”, diz.

Com a ajuda de Campos, Kalaf e Rose Mary Lopes, coordenadora do Centro de Empreendedorismo da ESPM, Exame.com listou algumas habilidades indispensáveis para ser um empreendedor de sucesso.

Ser determinado
Por mais que uma pessoa tenha cursos e certificados, dificilmente acertará seu negócio de primeira. “Tem que ser persistente usando a razão, pois alguns empreendedores se apaixonam pela ideia e não conseguem enxergar além disso”, explica Kalaf.

Para Campos, o empreendedor não pode desistir por qualquer barreira. “É preciso ter essa energia para, por exemplo, ligar para amigos e pedir indicações e também para bater na porta de clientes”, afirma. “Um empreendedor tem que matar vários leões por dia, mas tem que ter claro quais são os seus objetivos para poder casar com as oportunidades que surgirem”, explica Rose.

Dominar técnicas de gestão
Contabilidade, recursos humanos e áreas de suporte ao negócio exigem conhecimento formal. Mesmo em uma empresa muito pequena é preciso identificar em quais áreas ele precisa de ajuda e gerir. “Uma boa forma de aprender é frequentar competições de startups, quem ganha fala de seus negócios e conta como se prepara”, explica Campos.

Kalaf conta que o empreendedor precisa assumir que não é genial para tudo. “Improvisação em geral dá certo, mas não dá para improvisar sempre”, afirma. Para Rose, não é um aprendizado fácil: um empreendedor tem que aprender a demitir pessoas, por exemplo.
Manter-se informado
Para os especialistas, além da importância de se atualizar sobre o mercado em que atua, é preciso estar atento também com o que está acontecendo dentro de sua empresa. “Verifique se há insatisfações. Você pode não estar canalizando talentos adequadamente”, explica Rose.

“De nada adianta entrar em um negócio em que pouco se entende. Naturalmente que o empreendedor não precisa ter anos de experiência em um determinado segmento para poder empreender, mas ele deverá no mínimo fazer um belo dever de casa estudando tudo o que puder sobre o tema antes de se aventurar”, explica Campos.

Além disso, é bom o empreendedor circular em eventos de outros setores e trocar informações com pessoas de seu segmento.

Saber ouvir
“Muita gente acha que tem essa capacidade, mas alguns empreendedores têm uma postura muito confiante e não estão dispostos a ouvir opiniões que podem lhe ajudar e ajudar seus negócios”, afirma Campos. Ele explica que um empreendedor precisa, sim, ser confiante, mas precisa aceitar que algumas vezes ele pode estar errado. “Alguns fingem que sabem ouvir, mas depois acabam ignorando ou abandonando tudo que você falou“, diz.

Saber se comunicar
Kalaf diz que todo empreendedor precisa saber vender suas ideias e produtos bem. “Ele tem que ser capaz de comunicar a sua visão de negócios e valores para outros e conseguir inspirar as pessoas com quem trabalha”, explica. Essa habilidade o tornará líder para conseguir apoio para suas ideias e incentivará inovação.

Ter autocrítica
O empreendedor precisa se conhecer bem para identificar quais são os seus pontos fortes e fracos. “Caso contrário, ele pode extrapolar no otimismo, na sua vontade de achar que pode dar tudo certo e que pode fazer tudo sozinho”, afirma.

Ela explica que muitos empreendedores não conseguem perceber alguns sinais de alerta, como de que precisam de um parceiro que seja experiente em uma área que ele não domina.


Publicada em Jornal Contábil - edição on-line

Fonte: Exame

quinta-feira, 24 de maio de 2012

VOLTANDO A FALAR DE CONTABILIDADE

Pois é! 
Façamos sempre aquilo que embora não sejamos "experts", mas que tenhamos ao menos alguma "expertise" sobre o assunto. Sendo assim, que falemos daquilo que nos afeta mais diretamente, que são as coisas ligadas à área dos negócios. Contabilidade por exemplo.

Primeiro, aproveito para divulgar e óbvio convidar as pessoas interessadas a comparecer em mais um evento promovido pela FAINOR, dessa vez organizado pelas IES de Ciências Contábeis e de Administração, o 1º EFACC (Encontro das Faculdades de Administração e Ciências Contábeis), que ocorrerá de 24 a 26 de maio, onde, dentre outros temas, discutirá aspectos voltados a Tópicos Contemporâneos em Contabilidade. Lá, por exemplo, ministrarei no sábado 26/05/2012 das 08 às 12 horas o seminário: Semiótica na Comunicação entre a Contabilidade e os seus Usuários.

E, como forma de demonstrar minha satisfação em falar de coisas ligadas a contabilidade, peço aos senhores, a atenção na leitura do texto abaixo produzido por um dos ícones da área de negócios, Antonio Marmo Trevisan (Auditor e consultor de empresas desde 1970, graduado em Ciências Contábeis pela PUC de São Paulo. Diretor e Fundador da Trevisan Escola de Negócios, entidade de ensino que se tornou referência nacional pela tecnologia instalada e metodologia diferenciada em cursos de graduação, extensão, pós-graduação e MBA). 

Vejam o texto, ele fala por si só:


Respiramos Contabilidade, apenas porque nos faz bem, e bem para a Sociedade

Por Antônio Marmo Trevisan

A ciência da sinceridade

No Brasil do capitalismo democrático, a contabilidade é cada vez mais relevante, um fator decisivo para a credibilidade dos setores público e privado.

A ciência contábil floresce e se desenvolve quanto mais democrático for o país. Balanços publicados dão a dimensão do desempenho das organizações. Se os lucros dos bancos são maiores do que a soma dos obtidos pelas outras empresas listadas na Bolsa de Valores, conclui-se que os juros estão elevados e sugam parte da saúde financeira dessas firmas. E mais: a política monetária é alterada em função dessa informação. Se o balanço da previdência indica despesa maior do que as contribuições, o sistema está comprometido.

Imaginem informações dessa natureza em ditaduras. Tiranos controlam seu povo sem lhes dar condições de divergir, e a contabilidade é ciência da sinceridade! A relevância do contador é de tal ordem, que em países como a Inglaterra o orçamento do governo é assinado por um desses profissionais e entregue ao Parlamento pelo primeiro ministro, em ato de visibilidade pública. Jornais e revistas debatem o orçamento e programas de TV e rádio passam temporadas tratando do tema. Ser contador no Reino Unido tem tal significado que até pouco tempo atrás era a rainha quem entregava solenemente a carteira profissional.

Por que no Brasil a contabilidade não foi tratada da mesma forma? Por que os nossos jovens não se entusiasmam pela carreira? Afinal, paga-se muito bem, o mercado sempre demanda esse profissional e ele pode ser um empresário. Parece que a profissão perdeu parte da relevância na ditadura. Informação clara não era o que se queria levar à sociedade. Outro aspecto foi a inflação dos anos 70 e 80 e parte dos anos 90. Durante quase três décadas, nossos bravos contadores ficaram de cabelos brancos, cuidando de corrigir monetariamente os balanços. Sem falar na interferência do fisco, que fazia da contabilidade o seu instrumento para calcular e taxar.

Parte das mudanças veio com a Lei das Sociedades por Ações, de nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, iniciando-se um processo de arejamento da contabilidade brasileira, possibilitando a abertura do mercado de capitais e viabilizando recursos da poupança para as empresas. Mais recentemente, a lei 11.638, de 28 de setembro de 2007, adequou nossa contabilidade às normas internacionais.

A grande missão da contabilidade desde o seu criador, o frei Luca Bartolomeo de Pacioli, é estabelecer a responsabilidade no trato da coisa pública e privada. Este elementar princípio, que ele descreveu em 1494, instituiu uma nova ordem, que indicava ser impossível que alguém aplicasse um recurso sem ter a sua origem definida. Quando não se respeitam tais pressupostos, tende-se a montar orçamentos que não fecham, contas que não batem e empresas e países que quebram.

No Brasil atual do capitalismo democrático, a contabilidade é cada vez mais relevante, um fator decisivo para a credibilidade dos setores público e privado. Por isso, é fundamental a formação de novos contadores altamente capacitados no plano técnico e conscientes de seu papel no desenvolvimento. Que os jovens descubram essa emocionante profissão.

Artigo publicado no Brasil Econômico.
Fonte: JornalContábil – Edição on-line

sexta-feira, 18 de maio de 2012

DESRESPEITO À EDUCAÇÃO NA BAHIA


Às pessoas que normalmente me leem, e, que pelo qual sou intensamente agradecido, e, óbvio a outras tantas que vêm aqui a fim de encontrar assuntos atinentes à contabilidade ou geralmente ligado a área de negócios, peço desculpas e permissão para tratar aqui abaixo, de um tema de extrema importância para esse Brasilzão tão carente de acertar o rumo, que é a educação, e especialmente no tocante ao descaso em que a mesma é intensamente tratada pelo governo do meu estado. Que a propósito, nada melhor que o velho e espetacular Gregório de Matos e Guerra para referenciar:

Triste Bahia

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
                                                       
Gregório de Mattos

Do livro "História concisa da Literatura Brasileira", de Alfredo Bosi, Editora Cultrix, 1994, SP. 

Mas, para desanuviar um tema ou questão tão densa e triste, peço a permissão para publicar abaixo quadrinhos que me foram enviados pelo Professor Dirlei Bonfim, que por si sós dizem tudo.


Lamentável realidade!!!


Olá, Professores e alunos.

Vejam